Prisão de Geddel gera desgaste ao governo Temer

O ex-ministro da Secretaria de Governo e amigo pessoal do presidente Michel Temer (PMDB), Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), foi preso ontem, preventivamente, no âmbito da Operação “Cui Bono?”. Ele é acusado de atrapalhar investigações sobre suposto esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal, na qual Geddel e outros políticos – dentre eles, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) – atuavam para garantir a liberação de recursos pela Caixa a empresas, em troca de propina.

A prisão de Geddel é mais um fator a contaminar o clima no Legislativo, no momento em que Câmara está prestes a votar o recebimento da denúncia por corrupção contra Temer. Um deputado da base do governo, que preferiu não se identificar, avaliou ao O POVO que o fato cria mais um embaraço e fragiliza a imagem do Planalto.

“Geddel foi líder do partido na Câmara e, depois, seu irmão, Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), deu sequência à participação da família na Casa. Então, é uma pessoa muito viva no plenário. A relação de amizade com Temer, a intimidade dele com as decisões no governo e no PMDB não podem ser desprezadas. Diante disso, num momento de dificuldade, o tecido vai ruindo”, afirmou a fonte.

O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE) admite que haverá exploração política do episódio e que a situação gera desgaste, mas que a denúncia não traz fato comprometedor contra Temer. “Espero que não tenha impacto porque o motivo que gerou a prisão não tem conexão com a denúncia em relação ao presidente. Nossos parlamentares têm transmitido a certeza da rejeição da denúncia”, declarou.

Ontem, Temer disse primeiro ter “certeza” e depois “quase absoluta certeza” de que tem os votos 172 votos necessários para derrubar a denúncia contra ele na Câmara. “Tenho esperança, no sentido de quase certeza absoluta, de que vamos ter sucesso na Câmara dos deputados”, completou, em entrevista.

A prisão de Geddel

A prisão do ex-ministro teve como base depoimentos do doleiro Lúcio Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva. O Ministério Público aponta que Geddel tem tentado obstruir as investigações, ao evitar que Cunha e o próprio Funaro façam delação premiada.

 

Para isso, segundo a acusação, Geddel tem atuado para assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de constranger Funaro a não fechar acordo. Na petição apresentada à Justiça, foram citadas mensagens enviadas entre maio e junho por Geddel à esposa de Funaro, nas quais o ex-ministro, identificado pelo codinome “carainho”, sonda a mulher sobre a disposição dele em se tornar delator.

O advogado de defesa de Geddel, Gamil Föppel, afirmou que o peemedebista foi “injustamente enredado”. “A autoridade judiciária, infelizmente, laborou em erro. Geddel Vieira Lima colocou-se à disposição das autoridades para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, assim como comparecer a todos os chamados, inclusive abrindo mão dos seus sigilos bancário e fiscal”, afirma o advogado. (com agências)

Categoria:Política

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